Infraestrutura impulsiona construção civil/ AEAS projeta desafios para manter o crescimento
Diretor da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba (AEAS) avalia impactos na gestão de obras, uso de tecnologia e a urgência por qualificação
A área de infraestrutura assumiu o protagonismo da construção civil com saldo de 64.793 novos empregos no primeiro semestre de 2026, uma alta de 30,26% ante 2025. Considerando todo o setor, as vagas cresceram 6,52%, segundo dados do Novo Caged, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Esse avanço já mobiliza entidades, como a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Sorocaba (AEAS), a projetarem os desafios práticos dessa expansão.
Para Ricardo do Espírito Santo, engenheiro civil e diretor da AEAS, os números refletem a tração de aportes estratégicos nacionais. "O desempenho positivo da construção civil está relacionado à continuidade dos investimentos em infraestrutura, ao avanço de obras públicas e privadas e à manutenção da atividade do mercado imobiliário. Projetos logísticos, de saneamento, energia e mobilidade também contribuem diretamente para a geração de empregos no setor”.
E o aquecimento não está só nas capitais, na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), o impacto dita a rotina dos profissionais de arquitetura e engenharia. "Percebemos os reflexos desse movimento pela expansão imobiliária, implantação de indústrias, loteamentos e obras de infraestrutura associadas ao crescimento dos municípios da nossa região", detalha o diretor.
Desafio nos canteiros
O aumento da demanda exige planejamento rigoroso. Ricardo recomenda atenção redobrada aos cronogramas, custos, contratação de equipes e compatibilização de projetos. “O crescimento precisa estar obrigatoriamente acompanhado de planejamento, capacitação e cumprimento rigoroso das normas técnicas e de segurança. Além disso, uma gestão eficiente de suprimentos e a antecipação das demandas são fundamentais para evitar atrasos e desperdícios financeiros na execução", afirma.
Para garantir eficiência, o uso de tecnologias como o Building Information Modeling (BIM) e a industrialização da construção são aliados indispensáveis. "O BIM antecipa incompatibilidades antes da execução, enquanto a industrialização e a pré-fabricação aumentam a produtividade. Essas ferramentas são essenciais para entregar obras em prazos menores, sem comprometer a qualidade e a segurança”.
AEAS Capacita
O boom do setor esbarra, porém, em um desafio: a escassez de mão de obra. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Confea, que ouviu 48 mil profissionais das áreas de Engenharia, Agronomia e Geociências, revelou que 92% das pessoas graduadas na área estão em atividade, mas apenas 78% atuam em sua área de formação. "O mercado cresce e, com ele, a necessidade de profissionais atualizados em novas tecnologias, normas técnicas, gestão e métodos construtivos", pontua o diretor.
Para mitigar o gargalo da falta de mão de obra e dar suporte técnico aos profissionais da região, a entidade tem atuado por meio do programa AEAS Capacita, que promove cursos, palestras e treinamentos práticos. "O programa tem um papel importante ao aproximar os profissionais das novas demandas do mercado, contribuindo para uma atuação mais segura, produtiva e qualificada”.
Publicidade





COMENTÁRIOS