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Piedade,21/08/2026

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Genérico das canetas emagrecedoras chega ao grupo que mais consome o medicamento: mulheres na transição da menopausa

Aprovação da Anvisa deve baratear o acesso à semaglutida em um público cuja idade média de compra coincide com a perimenopausa; pesquisador que apresentará estudo no 20º Congresso Internacional de Menopausa explica o quê precisa ser monitorado nessa fase

Fernanda Marques - Assessoria de Comunicação
Genérico das canetas emagrecedoras chega ao grupo que mais consome o medicamento: mulheres na transição da menopausa Imagem META IA

A Anvisa publicou no Diário Oficial da União na última segunda-feira, 17 de agosto, o registro do primeiro medicamento genérico à base de semaglutida do país, concedido à EMS, e de uma versão similar do laboratório Germed, que será vendida como Semaclique. Ambas usam semaglutida obtida por via sintética, característica que abriu caminho para versões genéricas de um princípio ativo que até então só existia em formulação biológica. Pela regra de mercado, genéricos chegam às farmácias com preço ao menos 35% inferior ao do medicamento de referência.

A decisão amplia o acesso a um tratamento com perfil de consumo bastante definido no Brasil. Levantamento de janeiro de 2026 apontou que a maior parte do público que adquire o medicamento no país é composto por mulheres, com idade média de 47 anos, faixa que coincide com a perimenopausa. Entre 60% e 70% das mulheres nessa fase relatam ganho de peso.

A explicação está na fisiologia da transição hormonal, tema de pesquisa do médico João Paulo Batista de Souza, mestre em Biociências e especialista em medicina de precisão à frente da Evidare Clinic. Ele apresentará seu estudo no 20º Congresso Internacional de Menopausa, promovido pela International Menopause Society, no Rio de Janeiro e que contará com especialistas de mais de 80 países.

"Diversos estudos apontam que a queda da produção do estrogênio nos ovários da mulher acaba retirando uma grande proteção cardiovascular", explica o médico. "É nessa fase que a gente começa a perceber uma alteração no metabolismo lipídico, das gorduras, principalmente no fígado. Então, há aumento do colesterol, aumento do LDL e aumento dos triglicérides, que também são critérios da síndrome metabólica."

O ganho de peso nessa etapa da vida costuma surpreender mulheres que não mudaram nenhum hábito.

"O metabolismo basal da mulher diminui nessa fase por conta da queda hormonal. O organismo acaba recebendo a mesma quantidade de calorias, a mulher continua com a mesma alimentação que costumava fazer, só que o organismo diminui o metabolismo basal. Então, todas aquelas calorias acabam sendo acumuladas", detalha. "Em algumas mulheres específicas, começa um grande aumento de peso, uma resistência insulínica e uma dificuldade ainda maior de metabolizar essa gordura que está chegando ao fígado."

Na pesquisa conduzida pelo médico, as participantes foram submetidas a mudanças no estilo de vida, com atividade física monitorada pelo menos três vezes por semana e ajuste da ingestão calórica sob acompanhamento profissional. Um terceiro fator costuma ficar de fora da conversa.  "Existe a questão do sono, que é muito importante, porque é durante o sono que fazemos a nossa regulação hormonal. Então, o sono é primordial nessa fase", afirma. "Eu sei que o dia a dia é bem corrido, que temos diversas atividades, mas priorizar o sono é essencial. Tudo isso influencia no controle dos sintomas e na diminuição dos efeitos que temos observado em relação ao peso, ao metabolismo e ao risco cardiovascular, que é o principal."

Dr. João enfatiza que a venda de medicamentos à base de semaglutida segue exigindo receita médica em duas vias, com retenção de uma delas pela farmácia, regra em vigor desde junho de 2025, com validade de até 90 dias por prescrição. O registro do genérico mantém essa exigência.

A mensagem que o médico deixa às mulheres nessa fase é direta, já que em seu consultório, 60% dos atendimentos são mulheres entre 40 a 60 anos. "A primeira coisa é entender o seu momento e compreender que cada fase da vida tem suas peculiaridades. Os sintomas não definem uma doença. Se você tem algum sintoma, procure ajuda e um profissional que possa acompanhá-la, seja presencialmente ou on-line", afirma. "

O estudo do médico, iniciado em 2024, analisa a relação entre a menopausa e alterações metabólicas como resistência à insulina, síndrome metabólica e risco cardiovascular. O trabalho foi selecionado entre mais de 450 submissões ao congresso, que ocorre no Rio de Janeiro entre 30 de setembro e 3 de outubro. 

SOBRE O DR. JOÃO PAULO BATISTA DE SOUZA

Médico formado pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), mestre em Biociências pela mesma instituição e graduado em Gestão Hospitalar pela Universidade Cruzeiro do Sul. Fundador da Liga Acadêmica Brasileira de Medicina do Estilo de Vida (LABMEV) e segundo brasileiro a receber o Donald Peggy Award, do American College of Lifestyle Medicine. Revisor científico da revista PLOS ONE. Atua com foco em saúde metabólica, emagrecimento, menopausa e tireoide à frente da Evidare Clinic, em Sorocaba.

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