Gerenciamento do envelhecimento ganha espaço e muda a lógica dos procedimentos estéticos
Avaliação clínica passa a orientar a escolha entre botox, bioestimuladores, fios e preenchimentos, de acordo com os mecanismos do envelhecimento facial
Foto: Divulgação A toxina botulínica continua sendo o procedimento estético não cirúrgico mais realizado no mundo, seguida pelos preenchimentos à base de ácido hialurônico. No Brasil, foram realizados mais de 3,1 milhões de procedimentos estéticos em 2024, mantendo o país entre os maiores mercados globais do setor. O cenário reforça uma mudança que começa a ganhar espaço nas clínicas e consultórios: antes de definir qual procedimento fazer, cresce a importância do chamado gerenciamento do envelhecimento, abordagem que avalia de forma individualizada como o envelhecimento se manifesta em cada paciente.
Para a biomédica esteta Evelin Lima, referência em gerenciamento do envelhecimento facial, o procedimento ideal nem sempre é aquele que a paciente procura ao marcar a consulta.
“É comum receber pacientes pedindo botox ou preenchimento porque viram um resultado nas redes sociais ou receberam indicação de alguém. Mas o procedimento deve ser consequência da avaliação clínica. Primeiro entendemos como aquele rosto está envelhecendo; depois definimos o tratamento."
Segundo ela, o envelhecimento facial envolve diferentes mecanismos, como perda de colágeno, alterações na qualidade da pele, hiperatividade muscular, redistribuição da gordura facial e perda de sustentação. Cada um deles exige uma estratégia diferente.
Embora frequentemente sejam associados, toxina botulínica, bioestimuladores, fios de PDO e preenchimentos têm funções distintas.
A toxina age sobre a musculatura responsável pelas linhas de expressão. Os bioestimuladores estimulam a produção de colágeno e ajudam a melhorar a firmeza da pele. Os fios de PDO podem estimular colágeno e auxiliar no reposicionamento dos tecidos. Já os preenchedores devolvem suporte estrutural e recuperam volumes perdidos pelo envelhecimento.
"A ordem dos procedimentos interfere diretamente no resultado. Quando o preenchimento é feito antes de avaliar a qualidade da pele ou a flacidez, existe maior risco de excesso de produto e perda da naturalidade."
Outro equívoco, segundo Evelin, é acreditar que existe uma idade certa para iniciar os procedimentos.
"A produção de colágeno começa a diminuir por volta dos 25 anos, mas isso não significa que todos precisem de tratamentos nessa fase. A indicação deve ser baseada na necessidade clínica, nunca apenas na idade ou em tendências."
Quando a melhor indicação é esperar
O gerenciamento do envelhecimento também inclui reconhecer quando um procedimento não deve ser realizado.
Recentemente, Evelin atendeu uma paciente interessada em fazer uma rinomodelação. Durante a avaliação, identificou um desvio importante de septo e orientou que ela procurasse um otorrinolaringologista antes de qualquer intervenção estética.
"Nem sempre o procedimento que a paciente procura é o mais indicado naquele momento. A avaliação clínica precisa estar acima da expectativa estética."
Segundo levantamento interno da clínica, cerca de 90% das pacientes chegam à consulta solicitando um procedimento específico, mas o plano de tratamento é alterado após a avaliação clínica.
Sobre Evelin Lima
Evelin Lima é biomédica esteta, formada pela Universidade de Sorocaba (Uniso), pós-graduada em Estética Avançada e referência em gerenciamento do envelhecimento facial. Atua há dez anos com procedimentos faciais e corporais, desenvolvendo protocolos personalizados baseados em avaliação clínica, naturalidade dos resultados e preservação da identidade facial.





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