Reforma Tributária: menos de 30% das empresas estão prontas e falta de planejamento pode elevar custos a partir de 2027
A seis meses do início efetivo da transição gradual, especialista alerta para a importância de revisar a cadeia de fornecedores e o fluxo de caixa
Foto: Divulgação O relógio está correndo para o empresariado brasileiro. Faltam menos de seis meses para o início da cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), novo tributo federal criado pela Reforma Tributária, que substituirá o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) a partir de 1º de janeiro de 2027. Empresas que não adaptarem suas políticas e procedimentos correm o risco de perder créditos fiscais, ver os custos operacionais dispararem, além de perder margem de lucro e comprometer sua competitividade.
Apesar da proximidade das mudanças, muitas empresas ainda não iniciaram um planejamento estruturado. Um levantamento divulgado no início deste ano pela V360, uma plataforma especializada em automação e gestão de processos fiscais, revelou que apenas 28,1% das empresas possuem uma estratégia formal para implementação da Reforma Tributária. O estudo realizado com mais de 300 companhias de médio e grande porte apontou, ainda, que 33,2% não chegaram a discutir internamente os impactos do novo regime tributário.
Nesse contexto, as decisões tomadas ao longo deste segundo semestre serão determinantes para uma transição bem-sucedida. A avaliação é de Roberto Suguihara, sócio-diretor da Apter consultoria tributária e de negócios.
“A adaptação ao novo modelo vai muito além da conformidade fiscal. Trata-se de uma transformação que impacta diretamente a precificação, a gestão de contratos, a cadeia de suprimentos, a logística e o fluxo de caixa das empresas”, afirma. Segundo ele, as organizações que anteciparem essa jornada terão a vantagem de avaliar cenários, revisar estratégias e implementar ajustes com mais segurança, preservando seus resultados financeiros.
Ainda conforme o especialista, os efeitos tendem a ser ainda mais relevantes para empresas industriais e para negócios inseridos em cadeias produtivas complexas, bastante presentes no interior paulista.
A mudança prevista para janeiro de 2027 representa apenas o primeiro marco de uma transição que se estenderá até 2033. Desde o início de 2026, empresas e administrações tributárias convivem com uma fase de testes da CBS e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com alíquotas reduzidas. A partir de janeiro de 2027, a CBS passa a ser efetivamente cobrada, substituindo definitivamente o PIS e a Cofins.
O próximo grande desafio ocorrerá entre 2029 e 2032, período em que os atuais impostos de estados (ICMS) e municípios (ISS) serão reduzidos gradualmente em 10% ao ano, enquanto o novo imposto unificado será implementado gradativamente. Essa troca gradual termina em 2033, quando as taxas antigas deixam de existir de vez e o novo sistema passará a operar integralmente em todo o país.
Para as empresas, um dos pontos de maior atenção está na gestão da cadeia de fornecedores. No novo modelo, os créditos tributários passam a ter papel central na formação dos custos. Isso significa que o regime tributário adotado pelos fornecedores poderá influenciar diretamente a capacidade de aproveitamento de créditos e, consequentemente, a competitividade das operações.
“Não basta olhar apenas para dentro da empresa. Será necessário entender como fornecedores, prestadores de serviços e parceiros comerciais estão se preparando para a reforma. A escolha de um fornecedor poderá ter impacto direto na carga tributária efetiva da operação”, explica Suguihara.
Por fim, o sócio-diretor salienta que ferramentas tecnológicas já permitem mapear fornecedores, identificar regimes tributários e simular impactos financeiros decorrentes das novas regras. É o caso do Tax Shield, plataforma que automatiza a análise da cadeia de suprimentos e auxilia as empresas na identificação de riscos e oportunidades relacionados à geração de créditos tributários, permitindo ajustes contratuais e operacionais antes da entrada em vigor das novas regras.
Sobre a Apter
Referência em consultoria tributária, auditoria, outsourcing e tecnologia, a Apter desenvolve soluções inteligentes e personalizadas para empresas de diversos segmentos. Com dois escritórios em Sorocaba-SP e um em Alphaville-SP, a empresa transforma desafios tributários em oportunidades, combinando agilidade, qualidade e eficiência para entregar os melhores resultados. A Apter também se destaca na consultoria estratégica empresarial, promovendo soluções inovadoras e construindo parcerias duradouras.





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