UTI Neonatal em Votorantim fecha as portas após recuo da Prefeitura
Unidade no Hospital Municipal encerra atividades nesta quarta-feira, 6, apesar de promessa de ampliação feita em fevereiro; Instituto Moriah comunicou funcionários
Foto: Luciana Lopez - Reprodução Gazeta de Votorantim A UTI Neonatal do Hospital Municipal Dr. Lauro Roberto Fogaça, em Votorantim, encerrou as atividades na quarta-feira, 6 de maio. O fechamento ocorre pouco mais de dois meses após a Prefeitura anunciar que manteria o serviço e ampliaria o número de leitos com apoio do Governo do Estado.
Colaboradores do Instituto Moriah, que administra a unidade, receberam comunicado interno nesta quarta informando o fim do setor. O documento, assinado pela diretoria do instituto, agradece aos profissionais que atuaram na UTI ao longo dos anos.
Em fevereiro, a administração municipal havia informado que desativaria a unidade a partir de abril, alegando inviabilidade financeira para custear o serviço com recursos próprios. A Prefeitura argumentou que atendimentos de alta complexidade deveriam ser financiados pelo Estado, conforme regras do SUS.
Após repercussão negativa e mobilização popular, o prefeito Weber Manga divulgou vídeo dizendo que negociou com a Secretaria de Estado da Saúde para evitar o fechamento. Na época, foi anunciado que o hospital passaria de 4 para 10 leitos de UTI Neonatal, todos custeados pelo Estado e regulados pelo sistema CROSS.
Em março, o presidente da Câmara, Rodrigo Kriguer, questionou oficialmente a situação da unidade. Em resposta, a Prefeitura informou que a UTI contava com 4 leitos – dois intensivos e dois semi-intensivos – ao custo mensal de R$ 468.628,25 para o município. Os leitos eram exclusivos para moradores e não estavam vinculados à regulação estadual.
No mesmo ofício, o Executivo disse que manteria o serviço "temporariamente" diante do apelo social, até definir um novo fluxo regional. Também afirmou que um eventual financiamento estadual faria o município perder a governança sobre as vagas, que passariam ao CROSS, podendo levar pacientes de Votorantim para outros hospitais da região.
O que diz a Prefeitura
Em nota enviada na noite de quarta-feira, a Secretaria de Saúde confirmou o encerramento. Segundo a pasta, a decisão foi baseada em critérios técnicos e assistenciais, após análise da rede regional.
A Prefeitura afirma que a região tem estrutura estadual capaz de atender a demanda de partos e cuidados neonatais com segurança. Argumenta ainda que a demanda local não justifica a manutenção da unidade, comprometendo a eficiência no uso de recursos públicos.
O Executivo diz que solicitou apoio ao Estado e que o prefeito, acompanhado do então secretário de saúde, esteve na Secretaria Estadual para tratar do tema. Sem definição de repasse, optou por reorganizar a rede municipal, concentrando atendimentos em unidades com maior volume e capacidade.
A Prefeitura garante que gestantes e recém-nascidos não ficarão desassistidos. O atendimento será integrado à rede regional, com encaminhamentos organizados para acesso aos serviços especializados.





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