Custo do Agronegócio pressionado pelo conflito no Oriente Médio
Elevação de preços dos combustíveis e fertilizantes são fatores que influenciam a alta dos insumos agrícolas
Imagem: Gemini Google AI O conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, completou um mês neste sábado, dia 28. Para além das perdas humanas e da destruição de infraestruturas locais, a instabilidade geopolítica projeta ondas de choque que atingem diretamente a economia global. No Brasil, mesmo com a distância geográfica de 12 mil quilômetros, os reflexos já são sentidos no campo, com destaque para a alta acumulada de 20% no preço do diesel e a ameaça de encarecimento dos fertilizantes.
O setor produtivo rural brasileiro enfrenta um cenário de vulnerabilidade devido à sua estrutura de custos. O diesel, insumo fundamental para o funcionamento de tratores e colheitadeiras, além de ser a base do transporte da produção, está no centro das atenções. Segundo levantamento da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, o diesel vendido pela Petrobras em março de 2026 chegou a estar 47% abaixo da paridade internacional. Essa defasagem indica que, caso o petróleo permaneça em patamares elevados devido à guerra, novos reajustes no mercado interno serão inevitáveis.
A dependência externa de insumos é outro ponto crítico. Dados da Embrapa revelam que cerca de 85% dos fertilizantes utilizados nas lavouras nacionais vêm do exterior. A situação é ainda mais sensível no caso da ureia, fertilizante nitrogenado essencial para culturas como milho, trigo, arroz, algodão e cana-de-açúcar, onde a dependência chega a 90% do consumo. Em 2025, o Brasil importou entre 7 e 8 milhões de toneladas desse insumo, conforme registros da Secretaria de Comércio Exterior.
Como grande parte dessas importações provém de países do Oriente Médio ou atravessa rotas logísticas daquela região, o fornecimento está sob risco. De acordo com o especialista Pedro Henrique, o cenário pode elevar o preço dos fertilizantes em até 20%, comprimindo as margens de lucro dos agricultores.
Esse aumento de custos ocorre em um momento de alto endividamento do setor. Dados do Banco Central indicam que o crédito rural ultrapassou R$ 475 bilhões na safra 2024/2025. Diante da instabilidade, a gestão eficiente torna-se a principal ferramenta de sobrevivência para o produtor. Especialistas recomendam uma análise criteriosa da estrutura de custos e das obrigações financeiras, sugerindo estratégias como a reorganização de passivos, renegociação de contratos e o alongamento de dívidas para garantir a sustentabilidade da atividade agrícola nos próximos meses.






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