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Piedade,09/05/2026

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ACEP - Kaikan: tradição japonesa que atravessa gerações em Piedade

Associação Cultural e Esportiva de Piedade mantém vivas as raízes nipônicas por meio de eventos, esportes e educação, conectando passado e futuro na preservação da cultura japonesa

Larissa Tirabassi
ACEP - Kaikan: tradição japonesa que atravessa gerações em Piedade Foto histórica da fundação do Kaikan de Piedade

Referência na preservação e promoção da cultura japonesa na região, a Associação Cultural e Esportiva de Piedade (Acep) - Kaikan, localizada no Bairro Liberdade, em Piedade, é um ponto de encontro entre gerações e tradições. A organização, que foi fundada em 1947, traz eventos esportivos e culturais, como a dança folclórica e tambores japoneses.   

A ACEP surgiu a partir da união de cerca de 200 a 250 famílias descendentes de japoneses, que se instalaram no município no início da década de 1930, devido ao aumento do desenvolvimento econômico. A maioria desses imigrantes se estabeleceu em bairros rurais, dedicando-se a atividades agrícolas variadas.  

Por meio desse crescimento, analisou-se a necessidade de criar um espaço que fortalecesse o sentimento de pertencimento entre os imigrantes, promovendo a conexão com suas raízes e tradições, além de permitir que outras pessoas tivessem a oportunidade de conhecer e valorizar sua cultura. 

Segundo a associação, a missão principal da organização é transmitir a cultura japonesa e práticas esportivas às novas gerações, tanto para os descendentes como outras pessoas interessadas. Uma das formas para promoção cultural é o grupo de Taikô (tambores japoneses), que se apresenta em eventos escolares e culturais, levando a sonoridade e a energia das tradições nipônicas a diferentes públicos.  

Rafael Kenji, responsável pelo marketing do centro cultural, comenta sobre um dos eventos mais aguardados no calendário da associação. “Um dos eventos que mais chamam a população de Piedade é o Bon Odori, que é a dança folclórica japonesa em homenagem aos antepassados. Nela, além da dança, as pessoas podem ter acesso às culinárias típicas japonesas como o yakissoba, tempurá, gyudon, crepe japonês, manju e sushis”. 

Durante o ano, a ACEP também realiza outros eventos importantes, como a Noite do Sukiyaki, realizada nos meses de maio e agosto, além do Keiroukai, uma confraternização que homenageia os idosos com almoço coletivo e apresentações culturais.  

Além dos eventos anuais, há outras atividades que incluem o ensino da língua e cultura japonesa, em que as crianças aprendem desde a escrita até a culinária, contando com o apoio de professores voluntários enviados pela JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão). “A Educação é a base de tudo para formação do caráter humano e a Cultura Oriental ajuda muito no desenvolvimento individual aliando as tradições antigas e as atuais”, complementa Rafael.  

Na área esportiva, a associação mantém um forte trabalho com o atletismo, contando com o apoio de um professor de Educação Física, que acompanha e ensina crianças, adolescentes e adultos que já se destacaram em modalidades como salto em altura, arremesso de disco e salto à distância nos jogos regionais. A associação também atua em alguns momentos com a prefeitura de Piedade, que colabora com transporte e locais de treino, além de integrar a União Cultural e Esportiva Sudoeste (UCES), entidade que apoia eventos culturais e esportivos na região. 

No entanto, apesar de sua longa trajetória, a ACEP enfrenta desafios pela mudança do estilo de vida das novas gerações em que hoje buscam a profissionalização em centros urbanos e têm menos filhos. Isso tem dificultado a renovação da diretoria e o engajamento com a tradição agrícola que deu origem à associação. Ainda assim, o centro cultural e esportivo tem se reinventado, utilizando redes sociais, sites e jornais locais para divulgar suas atividades e manter o vínculo com a comunidade. 

Ao longo das décadas, a associação se tornou parte essencial da identidade cultural de Piedade, especialmente por sua ligação com o desenvolvimento agrícola do município e pelas festas como a do Caqui Fuyu e da Florada da Cerejeira, que marcaram época na região. Com os olhos voltados para o futuro, a ACEP segue apostando na educação e na cultura oriental como caminhos para formar cidadãos conscientes e conectados com suas raízes. Como diz um antigo provérbio japonês, Onko Chishin - “reviver o antigo para compreender o novo” – algo que a organização tem feito com dedicação há mais de sete décadas.

Texto de autoria das estudantes do 3° Semestre de graduação de jornalismo da Uniso (Universidade de Sorocaba), Gabriela Margato Santos e Rayane Luana Azevedo

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